Somos muitos

 

Meu nome é legião porque somos muitos. Frankenstein, aquele ser que era vários em um, singular no coletivo, definia-se assim,  inspirado por uma citação bíblica.

Conheço um grande número de agências Frankenstein que, sem estarem possuídas pelo demo, mas na base do sacrifício, se desdobram num papel coletivo em eugências, no home office. Algumas vão bem, imitando o lado bom daquele grande ser ímpar que queria ser amado e ter uma família para chamar de sua, mas morreu sozinho nas águas gélidas do Ártico.

Na base do “somos todos um”  essas agências foram procurar e encontraram colaboradores terceirizados que entregam o que prometem. São um Frankenstein retrofitado que se apresentam ao mercado com produção perfeita para esconder as cicatrizes das emendas. Ao contrário das assessorias da velha guarda – que morreram na praia porque não se renovaram frente a velocidade e e volume de dados gerados pela deusa internet – as que conseguiram se reinventar cumprem a lógica de um novo tempo.

Os donos trabalham duro, mas não precisam gastar talento com o que não compensa. Jornalistas que viraram cabeças de seus negócios aprenderam o sentido pleno de gestão e liderança, contrariando as sinapses de quem pensa como um ente de redação.

Dar certo administrando fornecedores, clientes, crises e fees não significa ser patrão e peão, tudo junto e misturado. Ou pior: mandar como um e ser visto como o outro.

“(As agências) são um Frankenstein retrofitado, que se apresentam com produção perfeita  para esconder as cicatrizes das emendas”.

As agências desse novo tempo devem saber escolher a quem (ou o quê) incorporar. O mundo de hoje pede essa flexibilidade: de funcionar e operar como um hub de negócios que contrarie as estruturas inchadas dos modelos tradicionais de agências e assessorias. Esse formato propicia empreendedorismo e inovação contínua, além de vantagem competitiva, pois leva em conta não somente quem sabe criar, mas também (e principalmente) entregar.

As  “partes” que costuram sobre si, se encaixam nos devidos lugares como um quebra cabeças. Um cérebro de gestão estratégica, com tronco flexível para mudanças rápidas e membros autônomos.