Relações Públicas na Era das fake news

 

Desde a eleição presidencial americana, em 2016, o termo fake news entrou em cena e jamais foi esquecido. Não foi à toa que a editora Collins tornou o jargão uma palavra oficial, quando passou a ser incluído no dicionário.

Há poucas horas pudemos assistir à coletiva de imprensa sobre a intervenção na segurança pública no estado do Rio de Janeiro. A repercussão quase que instantânea gerou diferentes contextos para as palavras ditas pelo General Braga Netto, exibidas em todos os meios da grande imprensa. Aqui temos um ótimo exemplo para acompanhar as fake news que irão surgir.

 

O aumento expressivo de notícias falsas que circulam nas redes tem disseminado manchetes de cunho sensacionalista, em sua maioria criadas por programas de computadores, desenvolvidos com a finalidade de gerar tráfego.

Segundo pesquisa da Abrahosting, divulgada em 2017, o número de bots representa 60% do tráfego total da internet no país. Os robôs são programados para simular o comportamento humano nos meios digitais, criando volume de compartilhamentos, curtidas e comentários, com o objetivo de aumentar o engajamento e influenciar a opinião de milhões de pessoas de uma única vez. Essa é fórmula programada nos algoritmos para reconhecerem a relevância dos assuntos, de modo que a publicação possa estar no topo do feed.

Olhando por esse ângulo, as fake news podem prejudicar o trabalho de PR pois seu aumento é diretamente proporcional à desconfiança dos meios, já que uma das atividades centrais da prática de relações públicas é buscar oportunidades de cobertura para marcas ou clientes. 

Uma pesquisa realizada pela Kantar Consultoria, denominada “Trust in News”,  apontou um comportamento inverso, no entanto. O estudo apontou atitudes de 8 mil consumidores de notícia nos Estados Unidos, França e Brasil e indica que os leitores têm tomado consciência de verificarem a autenticidade dos conteúdos antes de compartilhar e comentar, ao mesmo tempo que consideram que o jornalismo de qualidade é imprescindível e não pode ser substituído pela produção de conteúdo proprietário. Os dados são expressivos: 72% dos entrevistados confiam mais em revistas de notícias impressas. De acordo com a consultoria, as marcas tradicionais da imprensa, TV e rádio ainda se mostram resistentes às acusações de fake news, o que consequentemente não acontece na internet com as mídias digitais.

É preciso ser criterioso ao consumir informações nas redes. Conteúdos sem embasamento ou validação de fontes e, muitas vezes, cheios de erros, prestam um desserviço à população. Nesse sentido, temos provas que, mais do que nunca, há mais uma janela de oportunidade para o verdadeiro jornalismo, competência central para desenvolver o trabalho de Relações Públicas. Criar fatos, buscar fontes, validar o conteúdo e investigar histórias. Conduzir informação relevante para os mais importantes veículos de comunicação do país, e, sutilmente, porém de maneira eficaz, construir a credibilidade que favorece a boa reputação de marcas.

Veja os 4 passos para detectar as fake news:

1. Considerar a fonte:

“Uma maneira é olhar para o endereço da Internet onde foi publicada a notícia. (URL). Por exemplo, www.abcnews.com.co não é o verdadeiro endereço da Internet da ABC News, o que elimina qualquer possibilidade de ser uma notícia verdadeira. Mas você tem que ir mais longe do que isso. Há algumas notícias erradas em sites da mídia tradicional, entre eles "sites de mídia supostamente confiáveis.”

2. Leia além do título:

“Antes de se aprofundar na história, ler para ver se ela atende aos critérios de uma notícia real. Muitas vezes, uma notícia falsa terá elementos claramente falsos no corpo da história.

3. Verifique a assinatura/autor:

“Investir alguns momentos para verificar o autor. Uma busca rápida no nome do autor deve dizer se ele tem legitimidade. Será que ele tem uma conta LinkedIn? Uma notícia falsa chegou a dizer que o autor ganhou os prêmios Pulitzer e Nobel. É muito fácil verificar se isso é verdade.

4. Verifique as fontes de apoio citadas:

“Estas histórias falsas muitas vezes citam outras fontes de apoio – verifique a procedência. Nove vezes em 10 você descobrirá que eles não dizem a mesma coisa em tudo. Tudo parece legítimo, mas se você gastar alguns momentos para checar os dados, verá que é uma notícia falsa. E foi assim que a notícia foi desmentida, por se tratar de "fake news".

Por isso, cuidado com o que se ouve e, principalmente, com o que se lê por aí.

Critério e senso crítico nunca foram tão importantes como nos dias de hoje.

 

#inPRwetrust