Estamos todos na vitrine

 

 

Numa conversa com um dos grandes fabricantes de laticínios de Minas Gerais, ouvi a seguinte constatação: “não preciso de divulgação porque o nosso produto não é dirigido ao consumidor final.  Somos B2B”. Em rápida reflexão, questionei-me: há alguma verdade nessa observação? A partir dessa ponderação, tendo a achar que esse interlocutor carece de conhecimento mais específico acerca do tema. Em primeiro lugar, ainda que nós, simples mortais, não precisássemos saber que marca X é a principal fornecedora de leite da maior doceria da cidade, posso afirmar sem chance de errar que existem canais apropriados para que o chamado “trade” se comunique de forma eficaz no business to business.  

A mídia especializada impressa e eletrônica, o Linkedln e os seus fóruns, o Facebook corporativo, o  Instagram e o Youtube são meios que mostram eficiência em divulgação calibrada para públicos-alvo. Aí está o primeiro ponto: o segredo para obter um resultado eficaz nas plataformas descritas é engajar a marca com boa rede de audiência.

Segundo ponto: ainda que não houvesse essa interlocução entre consumidor final e produtor, posso garantir que uma queixa referente à qualidade do requeijão no meu pão na chapa, feita ao dono da padaria, ou da porosidade da burrata do meu italiano da moda, não passará incólume ao produtor, e a sua gravidade dependerá da dimensão que essa crítica alcançar. O distribuidor seria o algoz de um fornecedor em perigo – aquele lá de cima, que acredita não ser atingido ou não vê importância no diálogo com o consumidor final.

”A verdade que bate na cara de quem ainda insiste em olhar pelo retrovisor é que estamos todos na vitrine, vulneráveis.”

 

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Somos todos propagadores, influenciadores e conversores. Um click e colocamos a padaria, a doçaria e o restaurante da moda no olho do mundo via redes sociais, mesmo sem saber quem é o dono do queijo. Somos anjos e demônios de marcas ao escolher produtos no balcão, na ponta da gôndola ou dos dedos.

A lógica antiga, que privilegiava o boca a boca e a publicidade para representantes de vendas (só) como alma do negócio, nublando o poder de decisão de sua majestade, o consumidor, é a máxima do século passado. Algo que remete à instituição do fiado, das cadernetas da quitanda e do velho contador sob um foco de luz, boné e cinta prendendo a manga da camisa, mergulhado numa sopa de letrinhas e números.

Hoje, um descuido com uma mensagem mal direcionada é capaz de comprometer o patrimônio de uma marca, atingindo toda uma cadeia de consumo. Pode destruir uma história de vida, tradição e valores de mercado, mesmo para quem atua com commodities, como as cooperativas de carne, café, aves e ovos. Imagine um buzz na internet sobre um novo vírus ou febre que ataca as galinhas (até as orgânicas), ou uma onda de “aliens” nas carnes, ou, quem sabe, um novo bicho que pode se instalar no salmão, como aquela vibe de terror que tomou conta do país  há alguns anos?

A boa notícia é que nós, comunicadores estrategistas, possuímos as ferramentas para aperfeiçoar a proteção e reputação das marcas. Capacitados como guardiões, dispomos de meios, intelectuais e técnicos, capazes de aumentar a credibilidade, com exposição cirúrgica ou massiva. Podemos até predizer crises, porque somos treinados para sentir e avaliar ruídos, aplicando boas práticas de prevenção e ampliando a garantia de vida saudável das marcas.

Graças à automação, aliada poderosa da comunicação, erramos cada vez menos. Essa interação nos possibilita um olhar em perspectiva, gerando resultados com métricas precisas.  Contar com a inteligência de especialistas no ramo é como poder acender a luz na antessala de um blecaute.

Quer mais anjo de guarda do que isso?